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v. 3 n. 2 (2022): Interação com gentilezas gera inclusão das pessoas com deficiência?
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Inclusão! Falar, pensar e refletir sobre o assunto, em um país de excluídos e invisíveis, parece utopia. Mas não podemos nos calar e fingir que não está acontecendo nada e que não podemos fazer coisa alguma. 

É importante tocar em feridas, porque pessoas que nunca estiveram dentro de uma sala de aula, dentro de empresas continuam em seus discursos vazios sobre a inclusão sem sentido. Enquanto não educarmos a sociedade para aceitar as diferenças, respeitar o outro, a olhar para o outro e compreender suas necessidades a palavra inclusão será vazia… temos de pensar que direcionar vagas para as pessoas com deficiência não fazem delas pessoas incluídas nos campos de trabalho. As empresas precisam preparar pessoas para entender como incluí-las. Esse é um processo educativo. As pessoas precisam ser esclarecidas sobre as necessidades de cada um. Não é apenas preenchimento de mais uma vaga obrigatória. Para que dedicação a apenas poucas pessoas dentro de um contexto geral?

E na escola? Quais caminhos os educadores terão para realmente incluir as pessoas com deficiências? Sabemos que dentro de salas de aulas elas continuam invisíveis, porque não há espaço, não há preparo, não há nada que as inclua no processo educativo, a não ser deixá-las ali, como meros enfeites.

Os artigos e ensaios distribuídos neste volume da EDUCAFOCO trarão muitas contribuições para podermos refletir nas mudanças de nossa sociedade em relação às pessoas com deficiência.

Cascino, Varella e Silva mostraram ser possível a aplicação de projetos de inclusão em Instituições de Ensino e contaram com apoiadores e profissionais envolvidos nessa temática. Agradecimentos especiais ao Dr. Ricardo Henry Marques Dip, Dr. Antonio Herance Filho, Dr. Josué Modesto Passos, Dr. Michael Lindemberg Barros Soares, a todos os envolvidos com a Nova 4E, principalmente ao Sr. Kleber Rustiguella e Rita de Cássia do Carmo.

Santana e Araújo “sinalizaram para a existência conceitual sobre ideias capacitistas veladas, transcorridas na sociedade ao longo da trajetória histórica vivida pela pessoa com deficiência. Apontaram algumas dimensões fundantes da inclusão e de gentilezas”.

Santana e Ribeiro “discorreram sobre ideias de gentilezas em direção à inclusão social,  entendendo a sociedade inclusiva e plural. Puderam expor “como base os pensamentos de uma sociedade diversa, o que poderá resultar em uma cultura da gentileza”.

Freitas trará “um breve histórico referente à Educação Especial no Brasil, com destaque aos conceitos fundamentais sobre essa questão”.

Mercado chama atenção dos professores para o assunto inclusão destacando que “cabe a eles considerar a existência das diferenças de aprendizagem e desenvolvimento entre os educando e saber lidar com elas, a fim de que sua função de educador realmente se efetive”. Esse professor precisa modificar o modo de planejar, executar e avaliar os processos educativos, de forma que todos os envolvidos tenham papel ativo e participativo nesse contexto”.

Sardinha nos alerta para os desafios da criança e adolescente com TEA em relação à alimentação. “A preocupação dos familiares e cuidadores tende a ser centrada no “comer” e nem sempre no nutrir o organismo que apresenta necessidades de ajustes decorrentes de alterações no seu metabolismo, para que o seu desenvolvimento seja pleno.”

Saab destaca queo grande objetivo da ciência da Gentileza é impactar a sociedade e assim ocorrer mudanças. E acolher nossas emoções e sentimentos faz parte desse processo transformador. Como transformar a sociedade em que vivo se não consigo acolher o que sinto, o que me perturba, o que me move, o que me transforma?”

Hartmann conta sobre seu projeto inovador e premiado “em um ateliê para todos os públicos, tendo como missão a inclusão social de jovens e adultos, com necessidades especiais, a fim de fortalecer a autodeterminação da pessoa com deficiência intelectual, para que esta possa influenciar a sociedade no compromisso com a diversidade. Hartmann incentiva valores fundamentais, entre eles: Integridade, respeito, honestidade, ética e inclusão”.

Mello destaca que “acolher é a uma das atitudes mais importantes para a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade como um todo. Mesmo sabendo que a gentileza não deve ser privilégio de alguns é visível que a pessoa com deficiência necessita de uma atenção, cuidado e acolhida mais intensas”.

Banov reflete “sobre bases que podem potencializar o desenvolvimento das habilidades de qualquer pessoa. Reconhecendo que todos temos limitações a serem vencidas ao mesmo tempo que é preciso respeitar os limites. Não se trata de "encaixar" a pessoa dentro dos esquemas, trata-se de fomentar justamente a capacidade de poder viver e vivenciar o que é mais verdadeiro no próprio ser. "Se amamos aos homens meramente como são, degradamo-los; se os tratamos como se fossem o que deveriam ser, levamo-los aonde devem ser levados." (J.W. Goethe)

 

Autores: Ana Maria Ramos Sanchez Varella e Jerley Pereira da Silva

Publicado: 2022-10-07

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