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  • Educação e formação: Interdisciplinaridade na formação dos profissionais.
    v. 1 n. 2 (2020)

    Caro Leitor

    A EDUCAFOCO apresenta o tema escolhido Educação e formação, com o título: Interdisciplinaridade na formação dos profissionais.

    Esse tema irá provocar os profissionais, porque vai requerer deles a vontade de atualizar-se para complementar continuamente a sua formação profissional e obter aprimoramento.

    Escrever sobre esse tema é um presente, porque nos dedicamos a esses estudos há muitos anos, incluindo as práticas de projetos interdisciplinares para várias faixas etárias e empresas.

    Revisitar o tema Interdisciplinaridade e priorizar textos e ideias de autores que contribuíram e contribuem para fundamentar caminhos para um remodelado jeito de pensar a educação dará a oportunidade ao leitor de elaborar sua própria reflexão.

    Nenhuma profissão tem a formação por completo.  No campo de atuação, surgirão as dificuldades que exigirão competências e habilidades que não haviam sido testadas. Por esse motivo pensar em linhas mais amplas de entendimento, de abordagens, de contatos, de vivências é imprescindível. O profissional da atualidade, seja de qualquer área precisa conseguir envolver-se com outros profissionais de outras áreas, em um diálogo de profunda construção.

    É a Interdisciplinaridade abraçando os profissionais e ensinando uma das palavras mais importantes desse processo, o diálogo.

    Buscaremos responder o que significa a Interdisciplinaridade no Brasil. Qual sua importância na educação brasileira? Quais seus fundamentos, metodologia, práticas? Como a Interdisciplinaridade se fundamenta na Formação de profissionais? Quais exemplos de práticas poderiam demarcar a possibilidade de novos olhares para a educação?

    A EDUCAFOCO é uma Revista Interdisciplinar e o conceito de Interdisciplinaridade possui várias definições, porque é um neologismo, portanto, explicado de diferentes formas.

    Quando tocamos no tema interdisciplinaridade e formação, destacamos Ivani Catarina Arantes Fazenda e Hilton Ferreira Japiassu. Ambos com vasta contribuição, com vários livros escritos e muitas orientações em pesquisas. O assunto Interdisciplinaridade na formação dos profissionais requer muito estudo, sem preguiça de conhecer e ler o que já foi escrito.

    Para Fazenda, o que se pretende na interdisciplinaridade não é anular a contribuição de cada Ciência em particular, mas apenas uma atitude que venha a impedir que se estabeleça a supremacia de determinada Ciência, em detrimento de outros aportes igualmente importantes.

    Além de revisitarmos os nossos escritos, os de Fazenda e Japiassu convidamos, especialmente para fazer parte desse movimento interdisciplinar três pesquisadores que consideramos respeitados e conhecedores da Interdisciplinaridade no Brasil, que escreveram especialmente para a EDUCAFOCO. Agradecemos o carinho de três amigos queridos e competentes: Jucimara Silva Rojas, Fernando César de Souza e Maria de Fátima Gomes da Silva.

     

    Ana Maria Ramos Sanchez Varella e Jerley Pereira da Silva

  • Revisita à história da educação e pesquisa, no Centro Universitário Ítalo Brasileiro
    v. 1 n. 1 (2020)

    Caro Leitor

    Ao revisitar a história da educação e pesquisa no Centro Universitário Ítalo Brasileiro muitas recordações se fizeram presentes e saudades do que vivemos.

    Emocionante rever e recompor a história de seu fundador, perceber o quanto foi dedicado à educação. Constatar que seu filho e neto respeitam até hoje, na Instituição, a sua filosofia.

    Fez parte de nossa história a vivência no FIQUE (Núcleo de estudos e pesquisas em física quântica e espiritualidade), que nos marcou profundamente com tantos aprofundamentos das pesquisas realizadas e pelas parcerias instauradas. Ele modificou a realidade na área da pesquisa do Centro Universitário Ítalo Brasileiro.

    O FIQUE tinha encontros semanais enriquecedores com docentes, convidados e discentes. As reuniões eram permeadas de profundas reflexões, por que estudar o autoconhecimento, dentro de perspectivas interdisciplinares formava um conjunto de inovações acadêmicas e científicas. Pesquisadores de vários centros de estudos se interessaram pelo diálogo do Núcleo e contribuíam com palestras, textos, organização de eventos com trocas de conteúdo de excelência.

    Alguns fatores contribuíram para o sucesso do FIQUE, nossa dedicação plena e a experiência em pesquisa, além do apoio total da direção do Centro Universitário e os pesquisadores que aceitaram o desafio de se aprofundar e aceitar novos paradigmas.

    Convivemos durante sete anos com pesquisadores renomados que nos deram a honra de suas presenças nas reuniões. Ao final delas escrevíamos atas, que se tornaram históricas. Elas retratavam as pautas das reuniões. São documentos ativos e estão à disposição dos estudiosos.

    Os temas Física quântica e espiritualidade continuam em pauta no mundo científico.

    Infelizmente, muitos pesquisadores do Núcleo se afastaram por motivos profissionais e foi necessário encerrar suas atividades em 2017.

    Em respeito ao que foi vivenciado pelo FIQUE de 2011 a 2017, a valorização do passado e respeito aos registros de renomados professores, divulgaremos a história importante da fundamentação da educação e pesquisa no Centro universitário Ítalo Brasileiro.

    Será um presente para os leitores apresentar a metodologia e a história da formação de um Núcleo de estudos e pesquisas, usufruir dos textos escolhidos, artigos, ensaios, registros de pesquisadores contumazes.

    Que oportunidade leitor, de valorizar os Mestres e Doutores que compuseram a fundamentação e valorização da pesquisa, confirmando a ideia da Interdisciplinaridade que os estudos do passado precisam sempre ser resgatados para buscar novos conhecimentos.

    Convidamos, você, para estar conosco neste e nos próximos números.

     

    Ana Maria Ramos Sanchez Varella e Jerley Pereira da Silva

  • Educação, pesquisa e formação em um momento de pandemia.
    v. 2 n. 1 (2021)

    Caro Leitor

    Lembramos a você, leitor, que no ano de 2020, os dois números da Revista EDUCAFOCO tiveram um único objetivo: Revisitar o passado. Ambas disponíveis no http://educafoco.italo.br.

    No volume 1, número 1 revisita ao passado e apresentou o Centro Universitário Ítalo Brasileiro, cujo objetivo foi enfatizar sua trajetória e importância na Educação, história e pesquisa. Um dos pontos fortes e emocionantes foi resgatar o desejo e encaminhamento de três gerações no comando da Instituição. Em relação à pesquisa, reconhecemos no FIQUE e em seus pesquisadores e convidados a dedicação aos estudos que deixaram resultados de pesquisas inovadoras, no Centro Universitário Ítalo Brasileiro.

    No volume 1, número 2 revisita ao passado e questionou a Interdisciplinaridade na formação dos profissionais.

    Qual a importância da Interdisciplinaridade na formação, contribuição de seus mais renomados estudiosos, com destaque às práticas diferenciadas e projetos interdisciplinares inovadores?

    Para este volume 2, número 1, nosso tema é:

    Educação, pesquisa e formação em um momento de pandemia.

    Como está a Educação nesses 2 anos de pandemia?

    Quais atividades podem ser desenvolvidas nesse momento?

    Estamos em 2021, mês de junho. Desde janeiro de 2020, estamos vivendo em um momento drástico de uma pandemia que ainda não se sabe como ela foi iniciada. São muitos questionamentos se vieram pelas importações em carnes congeladas, se o vírus foi produzido em laboratório...são apenas suposições sem nenhuma comprovação científica.

    O que se tem certeza de que o primeiro caso da pandemia causada pelo novo coronavírus, SARS-CoV2, foi identificado em Wuhan, na China, em dezembro de 2020. Cientistas perguntam se não foi acidente de laboratório, porém, estão mais preocupados em tratar as pessoas, porque a doença tem de ser tratada o mais rápido possível, para conter a inflamação. Por ter diferentes cepas, elas se espalham rapidamente.

    O que temos certeza de que essa pandemia já gerou para o Brasil, a categoria de segundo país do mundo com população acima de 20 milhões de habitantes com mais mortes por covid-19 por milhão, o chamado coeficiente de mortalidade ou simplesmente mortalidade. Já morreram no Brasil, até esta data de encerramento desta edição, mais de 500.000 pessoas e no mundo mais de 3 milhões, o que aumenta a cada dia mais crise de medo e de angústia, porque muitos vacinados também morrem. No Brasil, mais de 47 milhões de pessoas já foram vacinadas, mas o medo continua.

    Tudo mudou, a economia sofrendo pelas decisões dos governantes fechando tudo em nome de salvar vidas. Nada provado também.  O que temos é uma crise em diferentes setores, todos estão sendo prejudicados.

    Algo foi fundamental a família teve de se unir, voltaram a se cuidar e tiveram de se reconhecer, crises aconteceram e muitos casais não se suportaram, porque as diferenças foram escancaradas. Filhos descuidados e largados, antes em “full time” nas escolas ou cuidados por auxiliares do lar, tiveram de aprender a conviver mais com seus pais e vice-versa. Muitos pais descobriram filhos sem limite e com alto índice de falta de educação básica, perceberam que educação se inicia em casa e a escola não pode ficar com essa responsabilidade sozinha.

    Professores tiveram de dividir suas falas com os pais...e a lacuna da educação aumentou, quem não estava ligado à tecnologia por falta de dinheiro do antes teve a situação piorada.

    As crianças foram muito prejudicadas, principalmente em fase de alfabetização. Precisam ser monitoradas em suas escritas e leituras, embora tenham facilidade em entender o mundo digital. É diferente a atenção a um joguinho e atenção plena ao que está sendo ensinado. Desespero total dos pais que veem seus filhos desestimulados. O que fez aumentar a possibilidade de "homeschooling"? Talvez seja a saída, já que berçários e escolas infantis além de caras não estão atendendo aos que os pais precisam e desejam.

    Sem contar que professores universitários perderam seus empregos, porque um professor atende a mais de 800 alunos em uma aula aberta, ao vivo.

    Outros professores estão vivenciando a doença do “Horror ao computador”. Não aguentam ficar expostos ali, sendo maltratados por estudantes deseducados, que não mostram seus rostos. Uma tragédia da modernidade pandêmica?  

    E as outras profissões? O que se espera delas daqui para a frente? Quantas sucumbirão? Quais caminhos enfrentarão esses mesmos estudantes que são corajosos escondidos, quando tiverem que se deparar com a presença de si mesmos no campo físico?

    Este tema da EDUCAFOCO terá muitos desmembramentos. Ainda é cedo para encerrarmos esse assunto, porque a pandemia não acabou nem no Brasil e nem no mundo. A incerteza ainda paira no ar, mais variantes estão chegando.

     

    Ana Maria Ramos Sanchez Varella e Jerley Pereira da Silva

  • A EDUCAFOCO apresenta o Dossiê: Gentilezas sem fronteiras, uma nova Ciência?
    v. 2 n. 2 (2021)

    Caro Leitor

    A EDUCAFOCO valoriza a educação, pesquisa e formação continuada, inovadora e transformadora. Por esse motivo, ao apresentar os textos que fizeram parte do I Fórum Internacional “Gentilezas sem fronteiras”, deseja que profissionais das diversas áreas do conhecimento se unam em busca de mudanças, para que possam pensar em abrir caminhos para novas descobertas e novos modelos para contribuir com uma sociedade mais gentil.

    Nós, pesquisadores, pretendemos fornecer maior caráter científico a esta temática de Gentilezas, do auxílio, da prestação de serviço, do apoio em geral, observando suas perspectivas históricas e seus efeitos sociais. Defendemos que as ações de gentilezas são extremamente positivas, geram felicidade e bem-estar em todos os envolvidos.  

    Pretendemos divulgar os nossos estudos e pesquisas realizados há mais de vinte anos em diferentes setores da sociedade e que puderam contribuir para o desenvolvimento intelectual, físico e moral de indivíduos, que foram pouco contemplados com educação, saúde dentre outros direitos básicos.

    Nossas pesquisas identificaram que as ações de gentilezas precisam ser ensinadas, pesquisadas, incentivadas e o ambiente escolar é um local ideal, pois nele os estudantes aprendem sobre a boa convivência, o respeito e podem se tornar indivíduos geradores de ações positivas e transformadoras. Esse procedimento é válido no ambiente familiar e nas  empresas.

    O Gentilezas - Centro de Estudos e Pesquisas, certificado pela Universidade Paulista, unido ao GEPESI - Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Saberes Interdisciplinares, do Programa de Pós-graduação, pesquisa e extensão do Centro Universitário Ítalo Brasileiro estipularam seus pilares de estudos e pesquisas: a interação e a interdisciplinaridade com profissionais de diferentes áreas do conhecimento, na tentativa de entender como as ações de gentilezas podem ser identificadas e classificadas.

    Em 2020, novembro, os pesquisadores dos dois grupos de estudos e pesquisas uniram-se em parceria com outros pesquisadores de outros grupos, entre eles o Grupo de Estudos e Pesquisas de Internacionalização Acadêmica; Relacionamentos Interpessoais e Familiares na Contemporaneidade; Interdisciplinaridade: Movimento e Transformação? Núcleo de Estudos e Pesquisas - IN M TRA. Essa parceria se estendeu com pesquisadores de outras cidades e estados brasileiros: Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e parceiros internacionais da Espanha, Portugal, Colômbia e Canadá. Diversas áreas do conhecimento puderam refletir sobre o tema Gentilezas. Desse movimento surgiu a ideia de um Fórum representativo para abordar o tema.

    O I Fórum Internacional “Gentilezas sem fronteiras” contou com a liderança da Pós-doutora Ana Maria Ramos Sanchez Varella e dos Doutores Laura Ancona Lopez Freire e Jerley Pereira da Silva. As parcerias instauradas, de diversas áreas e locais, puderam gerar colaboração e diversos projetos.

    Alguns questionamentos surgiram durante o Fórum: as pessoas gentis convivem melhor nas atuais sociedades e grupos? O que é uma ação de gentileza? Por que é importante pensar no tema? Quais são os desafios de desenvolver ações de gentilezas? Quem são essas pessoas que se preocupam com esse assunto? Para quê? Como surgiu essa ideia?

    Contar com diferentes abordagens sobre o tema foi a maior riqueza do Fórum, pois o assunto foi refletido em suas fundamentações científicas, para que houvesse a oportunidade de se pensar em uma nova construção do conhecimento, por meio de uma possível Ciência da Gentileza. No atual contexto, é muito importante a maior participação do Terceiro Setor. Empreendedorismo social pode ser um caminho para transformações sociais. Sua contribuição foi estimular o desenvolvimento de ações, modelos e parcerias para auxiliar e transformar cidadãos que necessitam de traçar novas oportunidades para a construção de um mundo diferente.

    Foram três dias de profunda reflexão e os convidados levaram propostas de atuação mais gentis em suas áreas de atuação. Puderam discutir também sobre as possibilidades de incentivar e promover mudanças em nossa sociedade, vislumbrando um modelo mais equilibrado.

    O Fórum refletiu sobre as possibilidades do desenvolvimento de ações que fundamentem o bem-comum, atingindo a todos com educação, saúde dentre outros direitos básicos, com qualidade. Os convidados puderam confirmar que as iniciativas e ações de gentilezas são tão transformadoras que levam a temática para um patamar científico-acadêmico.

    A participação de diversos atores do I Fórum Internacional “Gentilezas sem fronteiras” gerou um movimento de grandes parcerias. Um dos objetivos foi incentivar indistintamente as pessoas a repensarem gestos de gentilezas e atitudes que valorizem e contribuam para um melhor e mais delicado contato humano. O evento teve a participação de mais de mil convidados da comunidade acadêmica e interessados pelo tema. 

    Nosso agradecimento especial à parceria na organização do Fórum com a Dra. Laura Ancona Lopez Freire e Dr. Marcos Antônio Gagliardi Cascino. Destaque aos pesquisadores colaboradores da temática Gentilezas: Ana Maria Ramos Sanchez Varella, Ana Maria Ruiz Tomazoni, Ângela Maria Pizzo, Egídio Shizuo Toda, José Alexandre Cury Sacomano, Jerley Pereira da Silva, Fátima Aparecida Arantes Sardinha, Mário Alberto Konrad, Mônica Aparecida Valentim de Souza, Mônica Maria de Campos Vieira Bortolassi, Neusa Meirelles Costa. Agradecemos a todos os convidados, aos que fizeram participações especiais: Adriana Cambaúva, João Lourenço Navajas, Luiza Romani Ferreira Banov, Maria de Fátima Gomes da Silva, Mônica Franco, Murilo Inforsato, Pedro Andrade, Richard de Araújo Franco. Aos palestrantes: Alicia Stephany, Beltrina da Purificação da Côrte Pereira, Celso dos Santos Silva, Daniela Emmerich de Souza Mossini Miskulin, Gilka Figaro Gattás, Greice Naomi Yamaguchi, Ivani Catarina Arantes Fazenda, Jucimara Silva Rojas, Laura Ancona Lopez Freire, Luiz Gabriel Tiago, Maria Carla Vieira Pinho, Marília Pereira Bueno Millan, Nise Hitomi Yamaguchi, Oscar Alejandro Fabian D’Ambrosio, Oswaldo Faustino, Paulo Gomes Varella, Rogério Luiz Aires Lima, Sérgio Carvalho de A. Vallim Filho. 

    A EDUCAFOCO tem como base a Interdisciplinaridade que promove a inclusão e respeito às individualidades. Com essa proposta, para compor este número, com o retrato do Fórum, serão publicados os textos originais dos convidados.

    Para encerrar este editorial, lembramos ao nosso leitor, que em nossa obra Sementes de Gentilezas, publicada em 2006, já alertávamos sobre a importância de certa revisão de valores sociais:

    Estamos vivendo um momento único de abertura de sentidos, para transformar o que nos rodeia. É o despertar do nosso olhar, das nossas vivências. É a retomada das nossas histórias para que possamos respeitar as histórias dos que convivem conosco. Aceitar as diferenças, os aprendizados, os momentos de desenvolvimento de cada um e acima de tudo nos desligarmos da arrogância de que tudo sabemos. A gentileza pede respeito e generosidade a tudo que é do outro. Independentemente da profissão, da área do conhecimento, o ser humano deseja ser olhado e ter trocas de gentilezas, de delicadezas, esse é o momento para pensarmos em um novo modelo de sociedade”.

     Ana Maria Ramos Sanchez Varella e Jerley Pereira da Silva

  • A multidisciplinaridade no Direito contemporâneo.
    v. 3 n. 1 (2022)

    Para iniciar mais um ano, o de 2022, com mais esperanças e otimismo buscamos apresentar os diferentes olhares ao Direito. Foi escolhido pelo Corpo Editorial da Revista o tema: A Multidisciplinaridade no Direito Contemporâneo. O dossiê ficou sob a coordenação de Varella, que entrou em contato com profissionais de diferentes áreas do Direito e a resposta nos surpreendeu. Muitos pesquisadores se colocaram à disposição de escrever para essa temática. Neste número da EDUCAFOCO, estão alguns dos textos e com certeza o tema terá uma futura continuidade.

    É um assunto que apresenta muitos questionamentos e requer muitos estudos e aprofundamentos. Os próprios profissionais da área têm opiniões diferentes a respeito do conceito de Ciência do Direito, pois há correntes doutrinárias diferenciadas.

    Mesmo o conceito de Direito, também é questionável. Pensar em Direito contemporâneo e suas transformações abrem caminhos para diferentes olhares para os pesquisadores.

    Não somos estudiosos do assunto, mas somos pesquisadores interdisciplinares e acreditamos na vida humana e em tudo que faz parte dela, a sua evolução, suas transformações. A interdisciplinaridade tem em sua base a Filosofia existencial, por esse motivo escolhemos o conceito trazido por um filósofo da área, Professor Miguel Reale (p.9, 2002), em sua obra A Filosofia do Direito, quando afirma que "o direito é realidade universal. Onde quer que exista o homem, aí existe o direito como expressão de vida e de convivência. É exatamente por ser o direito fenômeno universal que é ele suscetível de indagação filosófica. A Filosofia não pode cuidar senão daquilo que tenha sentido de universalidade. Esta a razão pela qual se faz Filosofia da vida, Filosofia do direito. Filosofia da história ou Filosofia da arte. Falar em vida humana é falar também em direito, daí se evidenciando os títulos existenciais de uma Filosofia jurídica. Na Filosofia do Direito deve refletir-se, pois, a mesma necessidade de especulação do problema jurídico em suas raízes, independentemente de preocupações imediatas de ordem prática.”

    O autor (1998, p. 17) ainda destaca que “a Ciência do Direito tem sido definida como ciência positivada no tempo e no espaço”.

    Nós também acreditamos que as profissões cada vez mais precisam se atualizar e estar preparadas para este novo momento que se apresenta em nossa sociedade. Para os profissionais do Direito não é diferente. Com certeza os escritórios de advocacia e seus profissionais precisam se reinventar a cada momento, porque são muitos os desafios. Os advogados, assim como outros profissionais precisam desenvolver outras habilidades para suprir as emergências de seus clientes.

    O profissional do Direito precisa mais que conteúdo, precisa ser um profissional capaz de entender a multidisciplinaridade de sua atuação, para garantir seu diferencial no mercado. Tem de ser capaz de entender as mudanças sociais e conseguir visualizar e concretizar estratégias que atendam a modernidade.

    A palavra contemporâneo vem do latim contemporaneu, contemporaneidade significa “o que é do mesmo tempo, que vive na mesma época, atual. Segundo Carlyle, em seu texto A contemporaneidade fático-jurídica do Direito, a contemporaneidade fática é a atualidade dos fatos presentes, situações vividas no dia a dia, não escolhidas previamente pelo homem.

    Para ele os conceitos jurídicos postos e dispostos na ordem jurídica contemporânea, desafiam o Direito. São eles a globalização econômica, o terrorismo internacional, os crimes contra a humanidade, a Internet, o tráfico internacional de drogas, a busca do mapeamento e manipulação dos genomas humano, animal e vegetal, a clonagem das células, a exploração do espaço sideral, as novas formas de trabalho, a transexualidade e a identificação da pessoa humana e a biodiversidade ambiental.

    Para este número a EDUCAFOCO também traz alguns questionamentos sobre o presente e futuro na Educação para os estudantes do Curso de Direito. Quais são os desafios que terão de enfrentar? Como vivenciar o mundo tecnológico que se apresenta? O que é importante nessa formação?

    Contamos para este número com a gentileza de profissionais que fizeram o movimento de convidar pessoas ilustres e pesquisadores comprometidos para fazer parte desse momento.

    O juiz de Direito do Estado de São Paulo, Professor Josué Modesto Passos e o Professor Me. Michael Lindemberg Barros Soares apresentam o Direito Notarial e seus convidados, o Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Dr. Ricardo Henry Marques Dip e Dr. Rui Paulo Coutinho de Mascarenhas Ataide, da Universidade de Lisboa.

    A Professora Dra. Alessandra Okuma e Dra. Alexandra Campos representam o Direito Tributário e apresentam seus convidados profissionais do Direito Tributário, Arbitragem, Direito Penal e Direito Administrativo. São eles: Alexandre Naoki Nishioka, Bruna Teixeira Macedo, Caio Augusto Takano, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Débora Visconte, Edison Carlos Fernandes, Fábio Artigas Grillo, Flávia Scarpinella Bueno, Giulia Ramos, Íris Vânia Santos Rosa, Márcia Walquiria Batista dos Santos, Mariane Targa de Moraes Tenório, Maurício Barros.

    Excelente leitura!

    Profa. Pós-doutora Ana Maria Ramos Sanchez Varella

    Prof. Dr. Jerley Pereira da Silva

       

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  • Interação com gentilezas gera inclusão das pessoas com deficiência?
    v. 3 n. 2 (2022)

    Inclusão! Falar, pensar e refletir sobre o assunto, em um país de excluídos e invisíveis, parece utopia. Mas não podemos nos calar e fingir que não está acontecendo nada e que não podemos fazer coisa alguma. 

    É importante tocar em feridas, porque pessoas que nunca estiveram dentro de uma sala de aula, dentro de empresas continuam em seus discursos vazios sobre a inclusão sem sentido. Enquanto não educarmos a sociedade para aceitar as diferenças, respeitar o outro, a olhar para o outro e compreender suas necessidades a palavra inclusão será vazia… temos de pensar que direcionar vagas para as pessoas com deficiência não fazem delas pessoas incluídas nos campos de trabalho. As empresas precisam preparar pessoas para entender como incluí-las. Esse é um processo educativo. As pessoas precisam ser esclarecidas sobre as necessidades de cada um. Não é apenas preenchimento de mais uma vaga obrigatória. Para que dedicação a apenas poucas pessoas dentro de um contexto geral?

    E na escola? Quais caminhos os educadores terão para realmente incluir as pessoas com deficiências? Sabemos que dentro de salas de aulas elas continuam invisíveis, porque não há espaço, não há preparo, não há nada que as inclua no processo educativo, a não ser deixá-las ali, como meros enfeites.

    Os artigos e ensaios distribuídos neste volume da EDUCAFOCO trarão muitas contribuições para podermos refletir nas mudanças de nossa sociedade em relação às pessoas com deficiência.

    Cascino, Varella e Silva mostraram ser possível a aplicação de projetos de inclusão em Instituições de Ensino e contaram com apoiadores e profissionais envolvidos nessa temática. Agradecimentos especiais ao Dr. Ricardo Henry Marques Dip, Dr. Antonio Herance Filho, Dr. Josué Modesto Passos, Dr. Michael Lindemberg Barros Soares, a todos os envolvidos com a Nova 4E, principalmente ao Sr. Kleber Rustiguella e Rita de Cássia do Carmo.

    Santana e Araújo “sinalizaram para a existência conceitual sobre ideias capacitistas veladas, transcorridas na sociedade ao longo da trajetória histórica vivida pela pessoa com deficiência. Apontaram algumas dimensões fundantes da inclusão e de gentilezas”.

    Santana e Ribeiro “discorreram sobre ideias de gentilezas em direção à inclusão social,  entendendo a sociedade inclusiva e plural. Puderam expor “como base os pensamentos de uma sociedade diversa, o que poderá resultar em uma cultura da gentileza”.

    Freitas trará “um breve histórico referente à Educação Especial no Brasil, com destaque aos conceitos fundamentais sobre essa questão”.

    Mercado chama atenção dos professores para o assunto inclusão destacando que “cabe a eles considerar a existência das diferenças de aprendizagem e desenvolvimento entre os educando e saber lidar com elas, a fim de que sua função de educador realmente se efetive”. Esse professor precisa modificar o modo de planejar, executar e avaliar os processos educativos, de forma que todos os envolvidos tenham papel ativo e participativo nesse contexto”.

    Sardinha nos alerta para os desafios da criança e adolescente com TEA em relação à alimentação. “A preocupação dos familiares e cuidadores tende a ser centrada no “comer” e nem sempre no nutrir o organismo que apresenta necessidades de ajustes decorrentes de alterações no seu metabolismo, para que o seu desenvolvimento seja pleno.”

    Saab destaca queo grande objetivo da ciência da Gentileza é impactar a sociedade e assim ocorrer mudanças. E acolher nossas emoções e sentimentos faz parte desse processo transformador. Como transformar a sociedade em que vivo se não consigo acolher o que sinto, o que me perturba, o que me move, o que me transforma?”

    Hartmann conta sobre seu projeto inovador e premiado “em um ateliê para todos os públicos, tendo como missão a inclusão social de jovens e adultos, com necessidades especiais, a fim de fortalecer a autodeterminação da pessoa com deficiência intelectual, para que esta possa influenciar a sociedade no compromisso com a diversidade. Hartmann incentiva valores fundamentais, entre eles: Integridade, respeito, honestidade, ética e inclusão”.

    Mello destaca que “acolher é a uma das atitudes mais importantes para a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade como um todo. Mesmo sabendo que a gentileza não deve ser privilégio de alguns é visível que a pessoa com deficiência necessita de uma atenção, cuidado e acolhida mais intensas”.

    Banov reflete “sobre bases que podem potencializar o desenvolvimento das habilidades de qualquer pessoa. Reconhecendo que todos temos limitações a serem vencidas ao mesmo tempo que é preciso respeitar os limites. Não se trata de "encaixar" a pessoa dentro dos esquemas, trata-se de fomentar justamente a capacidade de poder viver e vivenciar o que é mais verdadeiro no próprio ser. "Se amamos aos homens meramente como são, degradamo-los; se os tratamos como se fossem o que deveriam ser, levamo-los aonde devem ser levados." (J.W. Goethe)

     

    Autores: Ana Maria Ramos Sanchez Varella e Jerley Pereira da Silva